A Associação Empresarial de Barcarena começou a organizar, há um mês, um movimento de protesto contra a insegurança que vive a população do município, diante dos casos de violência registrados constantemente.
Um dos fatos que motivaram a iniciativa foi a morte de uma comerciária que desmaiou quando o assaltante entrou na loja, de arma em punho. Mesmo no chão, ela foi morta a tiros. “Vários outros casos de violência mostram que a situação assola todo o município”, justifica a presidente da Associação Empresarial de Barcarena, Alzira Brito.
Ela explica que a intenção é alertar as autoridades para os problemas que cercam essa área, principalmente a falta de estrutura para atendimento das vítimas.
“A PM é presente e eficiente no município, mas as delegacias não têm estrutura. Acontece um delito e quando a pessoa se dirige à Delegacia de Polícia Civil não tem como registrar. O escrivão não está, o delegado saiu… alguma coisa acontece para impedir. Como não tem registro, para o Estado está tudo bem. Quando buscamos a informação, o número de pessoas sendo treinadas é relevante, mas quando vem para a prática é muito reduzido. As delegacias são ultrapassadas. Têm mais de 30 anos e não correspondem às necessidades”.
Inicialmente as entidades estavam programando um ato público para o próximo dia 26, mas resolveram adiar e fazer primeiro um abaixo assinado ao Ministério Público Estadual, para que este tome providências. “A manifestação ainda está sendo definida, mas cada vez está recebendo mais adesão de entidades, como os mototaxistas, taxistas, agricultores”, diz Dona Alzira.
Assaltos e arrombamentos no comércio aumentaram
As ações de criminosos se intensificaram nos últimos dias em Barcarena. Só na Vila dos Cabanos, na madrugada de sábado, 16, pelo menos duas lojas foram arrombadas e diversas pessoas foram assaltadas no Terminal Rodoviário, onde três homens armados quebraram o vidro do box da empresa Translíder, sob a mira de armas, fizeram a atendente abrir a porta lateral e levaram todo o dinheiro que havia no caixa.
Dois dias antes, um mercadinho localizado na rua da Lama, centro da vila, havia sido assaltado pela segunda vez. O hospital São José já sofreu cinco assaltos.
Na loja Manacial, os bandidos entraram depois de arrombarem o cadeado da grade da frente e taparam a câmera do circuito interno com um papel. Eles levaram três computadores (inclusive o que armazenava as imagens) e aproximadamente 800 reais do caixa.
Nenhum dos três assaltantes, que desceram de uma moto e abordaram as vítimas do Terminal Rodoviário, usava qualquer disfarce ou capacete para encobrir o rosto. Algumas vítimas disseram ao Tribuna que os assaltantes são conhecidos na vila e já estão acostumados a praticar assaltos a mão armada.
O delegado da Vila dos Cabanos, Idernério Pamplona, que já foi premiado como um dos mais operantes do Pará, disse que a Polícia Civil adota as providências quando há registro de queixa. Negou que o assalto ao Terminal Rodoviário, na madrugada de sábado, tenha sido registrado naquela DP como informaram as vítimas.