Todos os dias são registrados cerca de três assaltos em Uruará, município localizado há 900 quilômetros de Belém, no oeste do Estado. O problema preocupa autoridades e população que vive assustada com o medo freqüente da violência. Os empresários têm sido os maiores prejudicados. Lojas são alvo dos bandidos e os prejuízos incalculáveis.
Ontem, ( 20/10) cansados de apelar e não ter resultados positivos, aproximadamente cinco mil pessoas foram às ruas protestar. Vestidos de preto, pediam segurança. “Não podemos mais conviver com esse descaso. A polícia não tem mais autoridade aqui”, desabafou um comerciante que preferiu não ter o nome revelado.
Revolta é o que a população sente diante de tanta violência. A dona de casa Neide Barbosa diz que sua casa foi invadida por ladrões que levaram vários objetos. “Até quando a gente vai perder as coisas que conseguimos com suor do nosso trabalho”.
O autônomo Ronilson de Oliveira expressou sua indignação dizendo que merece respeito das autoridades porque sempre pagou fielmente seus impostos e quer apenas segurança para ele e a família.
O município que tem quase 50 mil habitantes. Segundo dados da Polícia Civil, só no último final de semana oito motos foram roubadas e três estabelecimentos comerciais assaltados. Números que segundo o prefeito da cidade, Eraldo Pimenta, são o reflexo da falta de condições de trabalho enfrentada pela polícia.
Eraldo Pimenta disse ainda que um documento será elaborado e entregue à governadora Ana Júlia Carepa e ao presidente Luís Inácio Lula da Silva com solicitações de equipamentos, viaturas e pessoal para as polícia militar e civil que atuam na cidade.
Com vaga para 7 detentos, a delegacia da cidade abriga 16 presos. Quatorze estão à espera de autorização do Centro de Recuperação de Altamira para serem transferidos. Segundo a polícia, desde o ano passado 210 presos já foram transferidos para Altamira, uma média de 10 por mês. Sem condições de atender a demanda os policiais se dividem. Atualmente o quadro de servidores é composto por 34 militares, um delegado, um investigador e um escrivão.
A manifestação serviu também para que muitos pedissem justiça para crimes antigos. Á espera da prisão do assassino da filha adolescente de 15 anos, dona Vilma Cavalcante caminhou todo o percurso. A filha foi violentada estrangulada e morta. Ainda teve o corpo escondido e queimado em um matagal pelo próprio namorado, há quase um ano. (Odair Oliveira).
