Já dura uma semana a greve deflagrada pelos servidores públicos municipal da saúde no município de Altamira. O movimento começou no último dia 18 e segundo a categoria é por tempo indeterminado.
Esta é a primeira greve de servidores da saúde no maior município do mundo, sendo que em torno de 230 profissionais do setor já aderiram à paralisação. Isso corresponde a 70% da categoria, muito embora outros 20% estejam parados, mas sem se manifestar.
Apenas 10% dos servidores estão atendendo a população. Os grevistas reivindicam, principalmente, reposição salarial, o que não lhes é concedida há oito anos. Além disso, a categoria exige a regulamentação dos agentes comunitários de saúde, regulamentação dos agentes de combate a endemias, melhorias na estrutura dos postos comunitários e unidades de saúde, principalmente no Hospital Municipal.
Eles também reclamam da falta de médicos especializados no município. De acordo com a coordenação do movimento grevista, 50% dos servidores são contratados e 50% são concursados. Segundo Fabiano Vargens, coordenador do Sindicato dos Profissionais da Saúde de Altamira (SindSaúde), a classe tem sido desrespeitada em vários aspectos, sobretudo, no que se refere aos baixos salários pagos pelo município.
Só para se ter uma idéia, um técnico de enfermagem ganha atualmente um salário mínimo. Para a servidora Adriana Santana, não é possível viver com salários tão pequenos assim e pede que sua categoria seja mais valorizada. Em nota os grevistas afirmaram que o valor que lhes é pago não é suficiente diante do serviço prestado nas unidades de saúde do município. Os grevistas afirmam ainda que vários acordos já foram feitos com a prefeita Odileida Sampaio (PSDB), porém, até agora nenhum foi cumprido.
Os profissionais garantem que não retornarão ao trabalho enquanto não for encontrada uma solução definitiva para os problemas que motivaram a greve. “Queremos respostas concretas da gestora e não promessas de melhorias que nunca acontecem” disse Rosileide Santos Raposo, técnica de enfermagem.
Como resultado da paralisação parte dos atendimentos realizados nos postos de saúde estão suspensos, para desespero da população carente. Apenas os 30% exigidos pela lei estão sendo mantidos, porém, a demanda de pacientes é muito superior. No centro de diagnóstico do município, por exemplo, a maioria dos funcionários concursados não está trabalhando. Os pacientes que procuram essa unidade estão sendo aconselhados a procurar atendimento no Hospital Municipal São Rafael que enfrenta a superlotação.
Em forma de protesto, na última terça-feira, os grevistas foram para frente da Prefeitura, onde continuam acampados com um caixão e faixas cobrando atenção da gestora do município. Eles também aguardam uma reunião com a prefeita que segundo informações da acessória de imprensa não está na cidade. A reportagem tentou ouvir os representantes do governo, mas obteve a resposta de que o Executivo não tem dinheiro para dar aumentos salariais e que por dos cortes nos repasses para as prefeituras não há condições de atender a categoria.
Enquanto isso, os grevistas mantêm a paralisação e o acampamento em frente à sede do Pode Executivo. O secretário de Saúde do Município também foi procurado pela reportagem do Diário, mas não quis receber o repórter. Membros do governo municipal chegaram chamar os grevistas de baderneiros e barulhentos. E segundo informações colhidas pela reportagem junto aos grevistas, há ameaças constantes de demissões para quem é contratado e que esteja fazendo parte do movimento. (Odair Oliveira).